Pesquisadores do Instituto de Química da USP desenvolveram um método de baixo custo para identificar ácido pícrico, um composto químico explosivo e poluente, a partir de eletrodos fabricados com uma caneta de impressão 3D de brinquedo.
Publicado na revista Microchimica Acta, o sistema portátil viabiliza análises químicas fora do ambiente laboratorial. O dispositivo utiliza pequenas amostras e pode funcionar acionado apenas por pilhas comuns, gerando respostas rápidas para triagens ambientais ou periciais.
A confecção dos sensores condutores emprega filamentos de ácido poliláctico misturados a negro de carbono. O material aquecido pela caneta de R$ 70 substitui o uso de metais nobres, como platina e ouro, reduzindo o custo de produção do eletrodo eletroquímico.
O procedimento funciona por transferência de elétrons na superfície do sensor, que mede a corrente elétrica da solução transportada por uma tira de papel. Quanto maior a quantidade da substância na amostra, mais intensa é a carga registrada pelo aparelho. A técnica substitui cromatógrafos convencionais de laboratório, equipamentos que alcançam R$ 500 mil.
Solúvel em água e nocivo a pulmões e pele, o ácido pícrico é utilizado no tingimento industrial de tecidos e pode contaminar lençóis freáticos. A detecção imediata no campo agiliza o isolamento de fontes de água contaminadas e auxilia perícias criminais em regiões remotas.
Com informações de Jornal da USP.