A tropa de choque de Fernando Collor mobilizou manobras regimentais, recursos ao Supremo Tribunal Federal e discursos no plenário para tentar barrar o impeachment na Câmara dos Deputados em setembro de 1992.
A ofensiva reuniu parlamentares com diferentes estratégias antes da votação de 29 de setembro daquele ano. A base aliada tentava adiar prazos e apontava supostas falhas no direito de defesa do presidente diante da pressão popular e das denúncias de corrupção.
Roberto Jefferson (PTB-RJ) assumiu a frente jurídica ao contestar decisões do presidente da Casa, Ibsen Pinheiro. Em 9 de setembro, Jefferson questionou a criação da comissão especial e levou à tribuna peças de mandado de segurança protocolado no STF.
Collor acionou a corte máxima para discutir aspectos da tramitação, incluindo prazos de manifestação. Enquanto governistas apontavam prejuízo à ampla defesa, defensores do afastamento sustentavam a competência constitucional da Câmara para autorizar a abertura do caso sem julgar o mérito.
O líder do governo, Humberto Souto (PFL-MG), tentou conter o esvaziamento da base e questionou regras de rito até o dia da votação. No plenário, Souto recorreu a debates regimentais e levou a discussão sobre ações no STF a partir de 10 de setembro.
Na véspera da decisão, em 28 de setembro, o deputado Ricardo Fiúza (PFL-PE) subiu à tribuna após deixar a Secretaria de Governo. Fiúza afirmou ter retornado para defender suas crenças e ideais, em meio a acusações de adversários sobre liberação de verbas para atrair votos.
A sustentação política contou ainda com parlamentares como Ronaldo Caiado e José Carlos Vasconcellos. Caiado classificou o movimento pró-impeachment como farsa e rejeitou o processo.
A resistência governista ruiu no painel eletrônico com apenas 38 votos contrários. O plenário registrou 441 votos favoráveis, uma abstenção e 23 ausências entre os 503 deputados, superando o piso constitucional de 336 votos com o apoio decisivo de Paulo Romano (PFL-MG).
Com informações de Congresso em Foco.