Candidatos eleitos nas eleições de outubro enfrentarão restrições fiscais e cobranças para ampliar investimentos em infraestrutura, economia e cultura, segundo especialistas ouvidos pela Rádio Câmara nesta quinta-feira (1/10).
No setor de infraestrutura, os aportes alcançaram R$ 280 bilhões no último ano, maior marca desde 2010, segundo a Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base. O valor representa 2% do Produto Interno Bruto (PIB), metade da meta demandada pelo segmento.
O consultor legislativo da Câmara Alessandro Reichert avalia que a baixa capacidade do poder público limita o avanço em obras estruturantes, como hidrovias e ferrovias. Segundo ele, 80% do montante atual depende de recursos privados e financiamentos do BNDES.
Na economia, os novos mandatos terão o desafio de reativar a atividade em meio à dívida pública elevada e ao endividamento das famílias. A professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) Carla Beni defende o Estado como indutor da inovação e cita prioridades como o aumento real do salário mínimo e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Nenhum país do mundo chegou onde chegou sem um Estado forte e indutor”, afirmou Carla Beni ao defender a presença estatal para assumir riscos em projetos. Ela também apontou a necessidade de debates sobre terras raras e propostas realistas.
Já na área cultural, a prioridade apontada é manter a descentralização de recursos para cidades pequenas e médias. A atividade movimenta cerca de R$ 400 bilhões ao ano, fatia equivalente a 3% do PIB, e emprega quase 6 milhões de pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O consultor legislativo Renato Gilioli destaca a importância de combinar incentivos fiscais e fomento direto para sustentar a produção artística local. De acordo com o consultor, cada R$ 1 aplicado no setor gera R$ 1,70 de retorno financeiro para a economia brasileira.
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