A recomposição das forças políticas após as eleições não garantirá um ambiente favorável para a tomada de decisões no próximo mandato, avalia o cientista político Rafael Cortez.
Segundo o professor do IDP e consultor da Tendências Consultoria, o futuro governo enfrentará dois entraves centrais: o aperto fiscal e as tensões institucionais, com destaque para a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).
A rigidez das contas públicas deve restringir o direcionamento de verbas para setores prioritários. Na avaliação de Cortez, a legislação orçamentária precisará ser revista para recuperar o equilíbrio financeiro e dar margem a medidas estruturais.
Sem alterações nessa estrutura, eventuais mudanças na alocação de recursos públicos tendem a ser apenas marginais nos próximos quatro anos.
O especialista também apontou dificuldades para aprovar pautas amplas no Congresso diante da atuação do Judiciário. “Eu vejo como pouco provável que a gente tenha uma agenda um pouco mais de fôlego para enfrentar esses temas mais espinhosos”, afirmou Cortez.
O cientista político acrescentou que o próximo presidente precisará reorganizar o presidencialismo de coalizão para lidar com a volatilidade das bancadas e evitar que o Executivo e as cúpulas da Câmara dos Deputados e do Senado se tornem reféns de alianças frágeis.
Com informações de CNN Brasil.