O jornalista Bernardo Mello Franco e o sociólogo José Henrique Bortoluci debateram nesta segunda-feira (28/9) a fragilidade democrática e o papel da imprensa contra o autoritarismo, no programa Brasil de Histórias.
Com mediação de Kátia Brembatti, o encontro analisou o avanço da desinformação e a atuação do jornalismo na fiscalização dos atos e gastos do poder público.
Mello Franco argumentou que a imprensa exerce vigilância cívica, sem função punitiva. “Nós não somos promotores, não denunciamos, não somos juízes, não julgamos, não condenamos”, pontuou o jornalista ao defender o papel de informar a sociedade.
Ao analisar a herança dos protestos de 2013, o colunista avaliou que manifestações da época abriram espaço para discursos autoritários antes rejeitados no debate brasileiro. Ele também diferenciou a cobrança ética nas instituições de ataques voltados a desestabilizar o sistema eleitoral.
O livro recente de Mello Franco reúne colunas publicadas entre 2018 e setembro de 2025, marco da condenação de Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe.
Bortoluci destacou que governos autoritários atacam historicamente universidades, cientistas e a imprensa para minar a verdade factual. O sociólogo apresentou reflexões de sua obra “Geração democracia”, que retrata os últimos 40 anos do país a partir de trajetórias populares.
Para o sociólogo, a sociedade enfrenta uma crise na capacidade de projetar alternativas ao presente. “A democracia existe como horizonte, existe como desejo, existe como projeto coletivo”, afirmou Bortoluci ao defender a resistência contra investidas autoritárias.
Mello Franco ressaltou que, apesar do financiamento em crise e da força econômica da desinformação, o rigor informativo segue indispensável para manter as garantias democráticas.
Com informações de Amado Mundo (Guilherme Amado).
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