O projeto do radiotelescópio binacional LLAMA, parceria científica entre o Brasil e a Argentina, está com as obras paralisadas em Alto Chorillos após cortes orçamentários promovidos pelo governo argentino.
A suspensão dos repasses à estatal INVAP ocorreu após a substituição do Ministério de Ciência e Tecnologia argentino pela Secretaria de Ciência e Tecnologia (SICyT). Com a interrupção dos trabalhos na província de Salta, o prato refletor do radiotelescópio foi deixado no solo antes da etapa final de içamento.
Firmado em 2014 pela Fapesp, pela Universidade de São Paulo e pelo governo argentino, o convênio previa divisão igualitária dos custos do projeto. Na ocasião, foi contratada a fabricação da antena parabólica de 12 metros de diâmetro com a empresa alemã Vertex Antennentechnik, ao custo de 8,5 milhões de euros.
O equipamento desembarcou na Argentina em 2017 pelo porto de Zárate, onde enfrentou retenção aduaneira e posterior nacionalização pelo Conicet, ato não reconhecido pela Fapesp. O transporte rodoviário até o sítio a 4.850 metros de altitude sofreu novo atraso de dois anos devido ao tombamento de um caminhão que transportava uma peça volumosa.
Antes da paralisação dos recursos, a INVAP construiu a base de concreto de dez metros de profundidade, montou a torre holográfica e instalou o enlace de comunicação por micro-ondas.
Pelo lado brasileiro, os investimentos custearam o desenvolvimento de softwares de rastreio e a fabricação de suportes ópticos pela empresa ALFA Engenharia, em Araraquara. O projeto também encomendou três receptores de frequências ao laboratório NOVA, da Universidade de Groningen.
A estrutura foi planejada para operar em redes de interferometria de base muito longa e realizar observações astronômicas de moléculas no meio interestelar em faixas de 162 GHz a 729 GHz.
Com informações de Jornal da USP.
Foto: 總統府 | Licença: Creative Commons Attribution

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