Unesp cria universo simulado para antecipar ondas gravitacionais

Uma nebulosa planetária em formato oval com cores vibrantes em tons de amarelo, verde e azul contra o fundo preto do espaço sideral.

Pesquisadores da Unesp criaram um universo simulado com milhares de galáxias para prever a capacidade de futuros detectores de ondas gravitacionais. O trabalho foi publicado na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

O ambiente digital projeta o desempenho de novos observatórios internacionais na identificação de eventos astronômicos e na localização precisa de suas fontes.

Desde a comprovação prática da existência das ondas em 2015, a colaboração LIGO-Virgo-KAGRA confirmou 390 detecções. A expectativa dos astrônomos é multiplicar esses registros com a chegada do Einstein Telescope, na Europa, e do Cosmic Explorer, nos Estados Unidos.

A previsão teórica foi elaborada por Albert Einstein em 1916 como resultado de processos cósmicos violentos, como explosões de supernovas e fusões estelares. Os sensores atuais conseguem identificar deformações espaciais na escala de 10^-18 metros provocadas pela passagem dessas ondas pela Terra.

O estudo surgiu durante o doutorado do físico Ranier Menote, que hoje atua no Instituto de Física Teórica da Unesp. Diante da escassez de dados reais para analisar a evolução cósmica, a equipe recorreu a projeções numéricas para antecipar os cenários de observação.

“Vamos simular os dados de que a gente espera dispor daqui a muitos anos de observações”, explicou Menote.

A base de testes reúne simulações de pares de buracos negros, pares de estrelas de nêutrons e sistemas mistos. Para cada caso, os cientistas calcularam parâmetros como massa, rotação, posicionamento no céu e distância da Terra.

Os eventos simulados foram integrados ao CosmoDC2, catálogo de galáxias sintéticas associado ao telescópio ótico LSST, do Observatório Vera C. Rubin. O equipamento ótico deve identificar 38 bilhões de objetos no espaço ao longo de uma década de funcionamento.

De acordo com o pesquisador Riccardo Sturani, do IFT-Unesp e do ICTP-SAIFR, a investigação considera que as fusões ocorrem no interior das galáxias, e não no vácuo intergaláctico.

Foto: NASA on The Commons | Licença: Dominio Publico

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