Especialistas cobram regras globais para evitar conflitos por água

Especialistas defendem a criação de mecanismos internacionais de controle para regular o uso compartilhado da água doce e evitar que disputas por bacias hidrográficas resultem em conflitos diplomáticos e militares entre países.

Embora o recurso cubra mais de 70% da superfície terrestre, a água doce representa apenas 2,5% desse volume. Menos de 1% do total está acessível para consumo humano, enquanto o restante se divide entre geleiras e reservatórios subterrâneos.

A Convenção da ONU sobre Cursos de Água Internacionais, instituída em 1997 para fixar diretrizes de uso compartilhado, segue sem a adesão de diversos governos. Nenhum país da América do Sul, região detentora de 30% dos recursos hídricos renováveis do planeta, ratificou o documento.

O professor de geopolítica da Universidade do Estado de Mato Grosso Vinicius Modolo Teixeira aponta que a ausência de um tribunal internacional com poder de coerção fragiliza a mediação. “A ONU peca por apenas ser consultiva e não ser uma organização que pode, de certa maneira, impor essas decisões”, disse Teixeira.

As divergências em torno de obras estruturais já causam atritos geopolíticos, como no caso do Rio Nilo. Após a Etiópia inaugurar uma grande barragem em 2025, o governo do Egito considerou o projeto uma ameaça e declarou em 2026 que não aceitará novos barramentos no curso superior.

O Brasil lidera o volume global de água doce, à frente de Rússia e Canadá, abrigando o Sistema Aquífero Grande Amazônia e o Aquífero Guarani. Como grande parte das bacias hidrográficas nacionais é transfronteiriça, a gestão conjunta com os vizinhos do continente torna-se determinante para a segurança hídrica e alimentar.

De acordo com o professor Bernardo Salgado, do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ, a proteção desses mananciais sustenta a capacidade de exportação agrícola do país. A abundância de recursos na Amazônia também mantém o território sob vigilância geopolítica contínua de potências estrangeiras.

Com informações de Tribuna do Agreste.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *